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Há 61 anos o Sudoeste do Paraná era palco da Revolta dos Posseiros.

Cerca de 6.000 colonos tomaram a sede do município de Francisco Beltrão.

O sudoeste do Paraná foi umas das últimas regiões que foram exploradas no Brasil desde o descobrimento. A região foi colonizada por gaúchos descendestes de alemães, italianos, poloneses e ucranianos oriundos do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. A exploração da região não foi feita através de um registro legal sendo que em outubro de 1957 o Sudoeste foi palco de um ato histórico que ficou conhecido como A revolta dos Posseiros.

Nos dias 9 e 10 de outubro de 1957 a mobilização foi tão grande que, com caravanas armadas de espingardas e ferramentas, tomou cidades, destruiu as sedes das companhias, expulsou os jagunços e implantou comissões administrativas.

Tal ato foi uma forma de repúdio aos sérios problemas de colonização da região que se estabeleceu entre os habitantes da região sudoeste do Paraná, companhias de terras e os governos federais e estaduais. O ápice da revolta aconteceu no município de Francisco Beltrão onde se situavam os escritório da Empresa Clevelândia Industrial e Territorial Ltda – CITLA.

Segundo dados históricos desde dezembro de 1950 a CITLA obteve, ilegalmente, um título de domínio de terras que já eram ocupadas por colonos. Como forma de intimidação a empresa utilizava jagunços para “negociar” com os colonos e sendo assim a região foi palco atos de violência repugnante: "As ações dos jagunços eram violentas e resultavam em estupros, espancamentos, incêndios, depredações e até mesmo mortes...” relatou um dos agricultores que presenciou os atos de pré-revolta.

Conta a historia que após os relatos dos absurdos praticados pelos jagunços por uma emissora de radio local da época no dia 10 de outubro de 1957, cerca de 6.000 colonos tomaram a sede do município de Francisco Beltrão. Vinham em caminhões, carroças, a cavalo ou a pé. Normalmente trabalhadores pacíficos, revoltados com a sua situação, foram à luta, todos armados com foices, velhos revólveres, espingardas de caça, enxadas e pedaços de pau. Concentraram-se na Praça da Matriz, onde em uma casa de esquina ficava a estação de rádio local, transformada em centro de operações. A delegacia e a prefeitura foram tomadas, o prefeito e o delegado fugiram.

O Juiz de Direito foi colocado em prisão domiciliar e o Promotor Público ficou sob a custódia do Exército até receber autorização para sair da cidade. Numa reação em cadeia, outros municípios foram tomados. Em Pato Branco, já no dia 9 de outubro, foi constituída uma comissão de representantes de todas as facções política denominada Junta Governativa, pela imprensa. Os colonos foram chamados para a cidade, cujos pontos estratégicos foram guarnecidos: as principais vias de acesso, pontes, instituições públicas, estação de rádio, etc.

Em resumo a vitória dos colonos nesta revolta foi fruto da coragem da sociedade em defender duas questões fundamentais: primeiro, o ser humano, ameaçado, violentado e alguns mortos pela ação dos jagunços pagos pelas companhias para implantar o terror junto às famílias esperando uma debandada para a região de origem.  A terra não era vista pelos posseiros como um bem imobiliário, mas sim como um fator de produção de alimentos para saciar a fome da família e, posteriormente, com a venda do excedente, buscar uma melhora das condições de vida.

FONTE: Pesquisa e Resumo: Douglas Nunes - Repórter Rádio São João.
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