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Pinhão: Homem cai em golpe no OLX e perde 30 mil reais

Pinhão: Homem cai em golpe no OLX e perde 30 mil reais

Postado em 14 de abril de 2021 por

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O senhor R. B. da S., residente no estado do Mato Grosso do Sul compareceu na tarde de segunda-feira,12, no 4º Pelotão da Polícia Militar de Pinhão-Pr e relatou que deslocou-se até a cidade de Pinhão-Pr para finalizar a compra de uma caminhonete que estava sendo feita pelo Facebook e WhatsApp.

O veículo foi colocado à venda através de grupos de compra e venda do Facebook de Pinhão e em outras páginas da rede social.

Porém, ao chegar na cidade, verificou que o negócio estava sendo intermediado por um terceiro, que se apresentou como A. O proprietário da caminhonete seria um morador do município de Pinhão. Após conversa com o proprietário, este informou que teria vendido o veículo para a pessoa de A. e que este teria revendido para R., porém o vendedor estava aguardando o depósito no valor da venda. A vítima depositou o valor de R$ 30.000,00 para A, na conta em nome de F. B. A.  que após o recebimento do depósito, passou a ignorar as ligações e mensagens da vítima. As partes foram orientadas quanto aos procedimentos cabíveis.

VEJA COMO FUNCIONA O GOLPE NO OLX

O golpe, na verdade, é um crime de estelionato (art. 171 Código Penal) e ocorre da seguinte forma:

1- A pessoa interessada em vender o seu veículo posta seu anúncio online em sites especializados de revenda de veículos (normalmente em sites diferentes da OLX).

2- O criminoso encontra este anúncio, se apodera das fotos e posta um novo anúncio (só que no site da OLX). Neste novo anúncio agora no site da OLX, o veículo passa a ser ofertado pelo criminoso por um valor atrativo, um pouco abaixo do valor de tabela FIPE, e contendo o número de whatsapp do criminoso, como se ele estivesse vendendo o veículo.

3- Uma pessoa interessada é atraída por este anúncio do veículo no site da OLX e entra em contato pelo whatsapp com o criminoso, solicitando maiores informações sobre veículo. O criminoso (normalmente agindo de modo extremamente atencioso, demonstrando fala muito bem articulada e logo, sem levantar nenhuma suspeita) presta todas as informações solicitadas pelo potencial comprador. Por fim, diz que está vendendo o veículo para o seu cunhado em troca de uma comissão pela venda.

4- Temos, portanto, 3 (três) pessoas que estão envolvidas nestes fatos: o vendedor, o comprador e o golpista. Vale relembrar que vendedor e comprador são duas pessoas de boa-fé e ambos serão vítimas do golpe.

5 – À medida que a negociação com o golpista evolui, o compradordemonstra interesse em conhecer o veículo, solicitando ao golpistauma vistoria presencial, para que possa ser concretizada a compra caso o comprador goste do veículo. O golpista diz que irá agendar a visita do comprador com o seu cunhado (o vendedor); Informa também que, no momento da vistoria, caso decida ficar com o veículo, o comprador deverá fazer o depósito bancário nas contas bancárias fornecidas pelo golpista (atenção: são contas bancárias de terceiros (laranjas), que não estão em nome do vendedor).

6 – Para agendar a visita, o golpistaestabelece um primeiro contato com o vendedorpelo whatsapp (nunca presencialmente) e, munido de documentos furtados ou documentos falsos, se apresenta como empresário ou como advogado, ou através de qualquer outra profissão que passe credibilidade. (Neste momento o golpe pode tomar rumos distintos, a depender da história que o golpista contar ao vendedor). Na versão mais frequente, o golpista se apresenta ao vendedor como empresário e diz ter interesse no carro; diz que precisa fazer um acerto trabalhista com um ex-funcionário seu e que este ex-funcionário tem interesse em conhecer o carro pessoalmente e caso goste, ele (golpista) comprará o carro ao ex-funcionário como forma de pagamento do acerto trabalhista. (O ex-funcionário é na verdade o comprador, que quer vistoriar o veículo);

7- Para não ocorrer nenhuma suspeita por parte do comprador de que se trata de um crime, o golpista solicita ao comprador que, no momento da vistoria, não comente nada com o vendedor sobre o valor que ele irá pagar pelo veículo e que também não diga nada sobre o fato de o golpista ser cunhado do vendedor – para justificar esta solicitação, o golpista normalmente inventa alguma história para o comprador do tipo: “meu cunhado tem uma dívida comigo, logo, do valor que você (comprador) me pagar, eu vou repassar só uma parte para ele” ou alguma outra história convincente. O comprador, muito interessado na compra (pois o veículo está muito barato), acaba acreditando no golpista.

8- De igual maneira, para não ocorrer nenhuma suspeita por parte do vendedor de que se trata de um crime, o golpista (que se passou de empresário) solicita ao vendedor que não trate de valores do veículo com o ex-funcionário dele que irá vistoriar o veículo; diz que o acordo trabalhista é um assunto dele (golpista) com seu ex-funcionário (comprador). Caso contrário, ele (golpista) não teria interesse na compra do veículo; diz ainda que, caso seu ex-funcionário goste do veículo no momento da vistoria, o vendedor poderia entregar as chaves ao seu ex-funcionário (comprador), pois ele (golpista) faria imediatamente um depósito do valor anunciado para a conta do vendedor.ATENÇÃO: Neste momento do golpe, o comprador está indo vistoriar o veículo achando que a pessoa que está com o carro (vendedor) é cunhada da pessoa que está lhe vendendo (golpista). Por outro lado, o vendedor está achando que quem está indo vistoriar o seu carro é um ex-funcionário da pessoa que irá comprar o seu carro. (Neste ponto, nenhum dos dois – nem vendedor nem comprador – sabem das versões que o golpista tem separadamente com cada um deles).No momento do encontro e da vistoria do veículo, apenas comprador e o vendedor estarão presentes (o golpista comunica com ambos apenas pelo telefone e pelo whatsapp e nunca é visto pessoalmente). E naquele instante, nem o comprador e nem o vendedor entram em detalhes sobre a terceira pessoa (golpista), pois ele assim solicitou separadamente à cada um deles.Caso o comprador decida ficar com o veículo, ele imediatamente avisa ao golpista pelo telefone/whatsapp que fará a compra,fazendo a transferência ali mesmo (pelo telefone celular) para a conta bancária que o golpista tinha lhe fornecido. O golpista imediatamente entra em contato com o vendedor e diz que seu ex-funcionário gostou do carro e pede para aguardar 30 minutos que ele (golpista) fará o pagamento/depósito para a conta vendedor. Compradorvendedor ficam aguardando os 30 minutos;O golpista deposita um ENVELOPE VAZIO na conta do vendedor, e lhe envia comprovante de depósito. Essas transações costumam ocorrer estrategicamente nas sextas-feiras e no fim de expediente do banco.Neste momento duas coisas podem ocorrer: OU o vendedor com muita boa-fé já entrega o veículo ao comprador e estevai embora para casa (ficando o vendedor sem veículo e sem o pagamento); OU o vendedor aguarda para ver se o depósito foi compensado e, ao notar que o envelope foi vazio e que o dinheiro não “caiu” em sua conta, não entrega o veículo ao comprador (e este fica sem o seu dinheiro transferido e sem o veículo).Neste momento, o golpe “perfeito” foi aplicado e o golpista bloqueia comprador e vendedor de seu whatsapp e desaparece impune e sem nunca ter sido visto presencialmente.

(Fonte: Jornal Fatos)

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